Formatação de texto entre Linux e Windows
Quem trabalha no Linux sabe da dificuldade da interação com os usuários do Windows, principalmente no que diz respeito à manutenção da formatação de textos quando há troca de arquivos entre usuários…
Para resolver esse problema, diversas situações são possíveis:
1) Adoção da mesma suíte de escritório
- Para a maioria dos usuários, o pacote de escritório OpenOffice1 (BrOffice no Brasil2) surge como uma interessante alternativa, visto que a maior parte dos recursos do MS-Office está disponível no mesmo.
- Entretanto, como a pirataria corre solta, é considerado “normal” ter uma cópia pirata da suíte da Microsoft no PC. Com isso, há uma proliferação de Office’s piratas, fazendo que o usuário iniciante acabe por ficar “viciado” no uso desses programas.
- Assim, há uma dificuldade considerável em trazer esse usuário para o OpenOffice. Há uma curva de aprendizado que muitas pessoas não estão dispostas a se submeter.
- Conclusão: como não existe ainda o “MS-Office for Linux”, o jeito é tentar convencer seus amigos/colegas/chefes/patrões/subordinados a trabalhar com o OpenOffice! Ou ligar para o disk-pirataria e sair denunciando todo mundo!
2) Adoção de formatos de arquivos comuns
- Temos aqui um fato importante: a maior parte dos documentos criados pelos usuários está no formato .doc (MS-Office 2003 e anteriores).
- A conversão entre formatos ODF (que o OpenOffice trabalha) e .doc ainda não é ideal, o que causa grandes transtornos.
- Em que pese a triste adoção pela ISO do formato OOXML3 (formato do Office 2007), o formato ODF é considerado um formato mais adequado para servir como padrões para documentos.
- Conclusão: para adotar um padrão de fato, utilize o OpenOffice salvado os arquivos no formato ODF. Entretanto, a coisa não é tão simples, já que as empresas já “adotaram” em sua maioria o formato .doc. É uma batalha árdua.
3) Adoção de fontes comuns
- Foi feito um grande esforço pela Red Hat para criar fontes milimetricamente idênticas ao padrão Times New Roman, Arial e Courier, lançando as respectivas fontes Liberation Serif, Liberation Sans e Liberation Mono4,5, respectivamente. As fontes Liberation estão disponíveis para download gratuito4. Assim, o trabalho com essas fontes em ambos os ambientes facilitaria o nosso trabalho.
- Entretanto, sabemos que a grande parte dos usuários é adepta do padrão estabelecido pela Microsoft (Times New Roman, Arial, Courier, Symbol, etc.).
- Conclusão: ou nós, usuários do Linux passamos a utilizar as fontes Microsoft ou os usuários Windows adotariam as fontes Liberation.
4) Adoção do formato PDF
- Um alternativa muito eficaz é a troca de arquivos em formato PDF. É a forma que oferece melhores resultados no que diz respeito à manutenção da formatação. E como o OpenOffice trabalha de forma nativa com esse formato, o trabalho é facilitado.
- Surge apenas um porém: como poderíamos editar arquivos PDF?
- Uma alternativa seria utilizar o Acrobat da Adobe para edição do PDF no Windows, ou mesmo o Foxit Reader6 (só uma pergunta: você tem dinheiro para isso?).
- Conclusão: a adoção de formatos de arquivos PDF, apesar de facilitar em muito a interação entre diferentes sistemas, cria um empecilho na edição deste tipo de arquivo. Em tempo: o OpenOffice 3.0 promete editar arquivos PDF diretamente!
E quais foram minhas escolhas?
- Meu sistema operacional único e exclusivo (desculpe a redundância, mas foi para dar ênfase
) desde 2006 é o Ubuntu. - Adotei definitivamente o OpenOffice como suite de escritório.
- Sempre que possível só trabalho com arquivos no formato ODF (o que me torna odiado por alguns alunos e/ou colegas de trabalho). Deixo sempre bem claro: só envio arquivos com formatos abertos para edição de documentos. E isso traz uma dificuldade significativa no dia-a-dia.
- Para documentos que não necessitam de edição, converto para PDF e pronto!
- Tempos atrás submeti um artigo à uma revista científica para publicação. Inicialmente, exigiram a submissão do artigo em formato PDF, o que não me criou maiores problemas. Entretanto, após o aceite, veio o empecilho: solicitaram todos os artigos no formato do MS-Office… tentei converter meus textos para o formato .doc mas muitas coisas se perdiam no meio do caminho… formatação, estilos de tabelas, fontes, símbolos, equações…
Resolvendo o problema
- Após muitas tentativas e erros, consegui solucionar o problema com as seguintes ações:
- Instalei as fontes TTF da Microsoft e Liberation da Red Hat no meu Ubuntu (sudo apt-get install msttcorefonts ttf-liberation no console).
- Copiei outras fontes do Windows (como por exemplo, as fontes Symbol e Wingdings) (entre no diretório c:\windows\fonts do seu micro e elas estarão lá - procure pelo nome e copie para um pendrive/cd/disquete ou envie para seu email!) para o Linux ((a) a partir do Nautilus, selecione as fontes que copiou anteriormente do Windows, Editar/Copiar; (b) executando o Nautilus como root (sudo nautilus /usr/share/fonts/truetype no console; (c) Editar/Colar; (d) reinicie o micro!).
- Após o reinício, as fontes estão disponíveis. Todo o texto foi convertido para Times New Roman (testei com a Liberation Serif e também funcionou!), símbolos para a fonte Symbol e Wingdings…
- O documento original salvei em ODF e criei uma cópia no formato Microsoft Word XP (Arquivo/Salvar Como/Tipo de arquivo).
- Abri o documento no Windows, dentro do Office XP e pimba! Nada foi perdido!
Esse post foi proposto para criar uma alternativa de interação de documentos/softwares/fontes entre usuários de sistemas operacionais tão distintos quanto o Windows e o Linux. E como a mudança de mentalidade ainda é lenta, a única alternativa para os usuários do Linux é adotar alguns formatos do Windows enquanto os padrões abertos não se tornarem efetivamente padrões de mercado…
Links:
[1] http://www.openoffice.org/
[3] http://www.linuxmagazine.com.br/noticia/em_data_adequada_iso_aprova_formato_ooxml_como_padrao
[4] https://www.redhat.com/promo/fonts/
[5] http://en.wikipedia.org/wiki/Liberation_fonts
[6] http://www.foxitsoftware.com/downloads/
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